Javaneses tentam recuperar normalidade uma semana após tsunami
Pelo menos setenta pessoas continuam desaparecidas e 74 mil ainda não voltaram a suas casas uma semana após a chegada de um tsunami à ilha de Java, onde deixou 596 mortos em plena temporada turística.
A Agência Coordenadora de Desastres na Indonésia forneceu estes dados em sua última atualização de vítimas, enquanto patrulhas marítimas rastreiam os 180 quilômetros de litoral javanês afetados em busca de corpos que foram levados pelas ondas e arrastados mar adentro.

Nas praias repletas de escombros, voluntários, residentes e pessoal militar, prossegue o rastreamento exaustivo de desaparecidos. A operação de limpeza durará até o início de agosto, mas muitos hotéis só voltarão a operar, pelo menos, no próximo ano.

Os turistas, indonésios e estrangeiros, que sobreviveram ao tsunami na praia de Pangandaran, cerca de 270 quilômetros a sudoeste de Jacarta, anteciparam a volta de suas férias e todas as reservas para este mês e os meses seguintes foram canceladas.

"Imagens da praia de Pangandaran destruída foram vistas no mundo todo, ninguém vai querer voltar aqui", afirmou Made Kartika, contador de um dos estabelecimentos afetados.

"Muitos donos de hotéis não decidiram ainda se reconstruirão ou não seus estabelecimentos porque não sabem se conseguirão recuperar seu investimento", acrescentou. Kartika é original de Bali, mas se mudou para Pangandaran há três anos após a grave recessão turística provocada pelos atentados de outubro de 2002 na ilha.

"Entre os atentados, os terremotos e os tsunamis, a Indonésia atravessa agora um de seus piores momentos turísticos", afirmou o contador, de 47 anos, que se dedica ao setor turístico desde os 15.

As agências de viagem no exterior informaram a seus agentes na Indonésia que os turistas ocidentais decidiram mudar suas férias na última hora para destinos considerados "mais seguros", como Tailândia, Malásia e Vietnã.

Além do grave impacto para a indústria turística, a série de desastres naturais que atingiu a Indonésia nos últimos 18 meses também teve sérias repercussões no comércio.

A espanhola Paloma Cascales, vendedora de móveis e objetos de artesanato, ressaltou que "a demanda está muito pequena".

"Os poucos que não tinham cancelado sua viagem devido ao terremoto de Yogyakarta (em 27 de maio de 2006, com 5.700 mortos) fizeram agora por causa do tsunami", ressaltou a espanhola, que está há 19 anos vivendo na Indonésia e procura agora outro ramo de negócios para superar a crise atual.

Além do setor turístico e empresarial, a outra grande área afetada pelas ondas gigantes de uma semana atrás foi a pesca.

Dezenas de pescadores morreram e milhares perderam seus barcos, redes e equipamentos.

Uma minoria se atreve a sair para o mar e quase todos continuam trabalhando na limpeza das praias e no conserto de suas embarcações.

À noite, junto a suas famílias e dezenas de milhares de deslocados, os pescadores seguem para abrigos instalados em áreas elevadas, apesar da redução do número de réplicas do terremoto de 7,7 graus que originou o tsunami.

Os alertas de tsunami em outras regiões do arquipélago, como o que foi lançado no domingo no norte das ilhas Célebes após um terremoto de 6,1 graus de magnitude, também atrasam a volta à normalidade.
Data: 24/07/2006
Fonte: EFE



 
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