"Gordon" se transforma em tempestade e não ameaça mais Açores
A mudança de trajetória de "Gordon" e a redução de sua categoria para tempestade tropical salvaram Açores do fenômeno perigoso e incomum nessa região do Atlântico, que manteve as ilhas em alerta máximo na terça-feira.
A Defesa Civil, os bombeiros, a emergência médica, a Polícia e o Comando Naval do arquipélago mobilizaram centenas de homens com a previsão da chegada do então furacão, que durante sua trajetória se afastou primeiro da ilha das Flores e da ilha Corvo, as menores e mais ao oeste de Açores.

Porta-vozes dos serviços meteorológicos portugueses informaram que "Gordon" tinha diminuído sua intensidade e já tinha as características de uma tempestade tropical, mas poderia trazer ventos perigosos de cerca de 70 km/h.

As autoridades regionais dos Açores - nove ilhas situadas no meio do Atlântico a 1.500 quilômetros de Lisboa, com população de 250 mil - mantiveram durante a noite da terça-feira um gabinete de crise. No entanto, o escritório recebeu apenas relatórios sobre a normalidade da situação, chuvas leves e ventos suaves.

As autoridades tinham recomendado que a população se abrigasse em casa, colocasse gado e barcos de pesca em lugar seguro e adotasse medidas para se proteger dos possíveis estragos de "Gordon".

Mas a Defesa Civil informou que não foi registrada nenhuma ocorrência durante toda a noite, o que fez com que o estado de emergência, aos poucos, fosse retirado em cada uma das ilhas.

Oficialmente, o estado de alerta estava ainda vigente em São Miguel e Santa Maria, as duas ilhas mais ao leste do arquipélago que foram atingidas pela tempestade tropical a partir das 4h de Brasília.

Um porta-voz dos bombeiros de Ponta Delgada, capital de São Miguel e onde vive metade da população das ilhas, disse que, por volta das 5h de Brasília, havia apenas chuva moderada e ventos não muito fortes.

No entanto, até então havia reinado na cidade o medo de que "Gordon", que tinha ventos de quase 170 km/h quando ainda era um furacão, fosse varrer a ilha de oeste a leste.

O Instituto de Meteorologia de Portugal previu que a tempestade continuará se movimentando para o nordeste, evoluindo para condições climáticas próprias de inverno, e chegará amanhã ao norte de Portugal e à Galícia, na Espanha.

Os meteorologistas portugueses chamaram a atenção para o fato de que é incomum a passagem de um furacão por Açores. Em geral, estes fenômenos naturais costumam se formar na região do Caribe para, depois, seguir rumo ao norte.

O único incidente relacionado a furacões registrado nas ilhas Açores ocorreu em 1992. Naquele ano, o arquipélago foi atingido pelo furacão "Bonnie", que causou o desabamento de uma caverna no litoral e matou um jovem que recolhia algas.

Os piores fenômenos climáticos que atingiram o arquipélago português foram tempestades tropicais e chuvas fortes. Em 1997, as chuvas mataram 26 pessoas, que foram soterradas por uma avalanche de barro, quando várias casas em São Miguel foram destruídas.

Os ilhéus e visitantes que foram surpreendidos na terça-feira pela ameaça do furacão após um dia de sol e praia esperam agora que os efeitos da tempestade durem pouco, para que possam aproveitar o final do verão em uma das regiões mais turísticas de Portugal.

Data: 20/09/2006
Fonte: EFE



 
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